É difícil para todos
Os dias atuais não estão fáceis para ninguém. É preciso muito esforço para poder chegar ao final do mês sem estar no aperto e correndo atrás de dinheiro para poder pagar suas contas. Se isso é bastante comum com quem tem emprego fixo, em dois turnos e ganha um salário consideravelmente bom, com os estagiários, que recebem bolsa-auxílio e vale transporte, não é diferente. Mas como eles conseguem se manter economicamente durante o mês inteiro? Para descobrir isso, a reportagem procurou três estudantes para contar como os estagiários conseguem vencer as contas do mês e ainda se divertir à medida do possível. Mesmo descontando os gastos com faculdade e outras contas fixas, como aluguel, luz e água, os estagiários ainda precisam de ajuda para se sustentar durante o mês.
Alexandre Soares Pinto, 22 anos, faz o curso de jornalismo da PUCRS e estagia na prefeitura de Viamão desde agosto de 2007. Lá ele ganha R$400,00 de bolsa-auxílio e o vale transporte cobre todo o seu custo de locomoção até a prefeitura. O único problema é que ele tem uma despesa média mensal de mil reais, precisando recorrer à ajuda dos pais, que ajudam a pagar as suas contas. Um dos motivos que levam Pinto a ter uma despesa alta são os cursos extracurriculares que participa. “Eu estudo Inglês e procuro me atualizar com outros cursos extras na área de comunicação. Além disso, gosto muito de viajar e sair com os amigos. Contando somente com os meus recursos não conseguiria fazer a metade do que faço”, explica. O futuro jornalista ainda conta que diminui a carga horária da faculdade para poder conciliar o tempo livre com momentos de lazer e estudos, e ainda deixa a sua opinião sobre o que é importante na formação de um jornalista. “Os jornalistas precisam se preocupar em ter uma boa formação extracurricular. É isso que, a meu ver, irá garantir um melhor estágio ou emprego e, consequentemente, um melhor salário. Quem tem oportunidade deve diminuir as cadeiras da faculdade e aproveitar o tempo livre para si e para outros estudos. Viver o mundo da faculdade não é somente ir para as aulas”, aconselha.
Outra estudante da PUCRS, Patrícia Camilo Cardoso, 20 anos, também faz estágio na prefeitura de Viamão, ganhando R$400,00 e vale transporte. A estudante de Relações Públicas mora com a mãe, que a ajuda a pagar algumas de suas despesas, que chegam a R$500,00 por mês. Quando não está na faculdade ou no estágio, Patrícia procura aproveitar o tempo livre para descansar, ler, namorar e fazer compras. Ela também gosta de investir na sua formação profissional, atividade que considera ser um lazer. Mas com o que ganha não consegue fazer tudo o que quer, necessitando da ajuda de sua mãe. “Não ganho o suficiente para fazer tudo o que gosto, mas procuro investir em cursos voltados para a área de comunicação. E a minha mãe ajuda sempre que eu preciso. Para mim, os estudos são uma diversão, pois gosto muito de aprender. Mas acho que posso dedicar um pouquinho mais de tempo aos estudos”, afirma Patrícia. De acordo com a estudante, é possível para um estagiário sobreviver aos gastos do mês. “Se a pessoa tem dificuldade em juntar dinheiro, cumprir com seus deveres e ainda conseguir se divertir, ela precisa ter mais controle dos seus gastos. É possível fazer tudo o que se gosta. Para isso é preciso gastar com as coisas certas e na medida certa”, explica.
O último estudante procurado pela reportagem cursa jornalismo no Centro Universitário Metodista do IPA. Além de estudar, Athílio Zanon, 20 anos, também estagia na faculdade, ganhando R$375,00 de bolsa-auxílio mais R$62,00 de vale transporte. Ele tem uma despesa média mensal de R$400,00, um gasto menor do que aquilo que ganha. Porém, ainda precisa contar com a ajuda de seus pais, que o sustentam. Nas suas despesas ele não inclui gastos com o carro, que utiliza todos os dias para chegar à faculdade de dia e de noite, e de contas maiores, como faculdade, aluguel, água e luz. “Não consigo fazer tudo o que gosto com o que ganho. Meus pais me sustentam. Além de estudar e trabalhar procuro investir em estudos paralelos ao meu curso, mas é só o que faço” admite. Para Zanon, os estagiários dificilmente conseguem ter dinheiro para se sustentar e ainda poder se divertir. “É muito difícil. Não tem como ter dinheiro suficiente estagiando para poder pagar as suas contas e ainda ter bons momentos de lazer, ou pelo menos tempo para isso”, afirma.
Para driblar um pouco essa dificuldade, existem algumas atividades de baixo custo ou até mesmo gratuitas que podem ser realizadas. Grande parte delas pode ser encontrada nos jornais. São diversos tipos de descontos existentes para estudantes, principalmente para inscrições em cursos, ônibus, cinemas, teatros e algumas lojas que formam parceria com empresas que regulam os estagiários, como o CIEE, por exemplo. Para viagens, programar-se com antecedência e fazer reservas pode tornar o gasto menor do que o normal. Também existem pacotes oferecidos pelas companhias de viagens.
Alexandre Bringhenti
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